quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sobre o bolsa família

Hoje vi a seguinte notícia: Estudo mostra que Bolsa Família não leva beneficiário à acomodação. Nem li. Compartilhei na hora só pra ver o pessoal correndo pra justificar a sua certeza de que o bolsa família é uma porcaria. E funcionou perfeitamente. Ah, a discórdia.

Um dos comentários me deixou curioso sobre o valor do benefício. O cara falou que tem gente recusando emprego, porque "ganha isso só pra ficar o dia inteiro deitado com o bolsa família". O valor do benefício varia conforme a quantidade e idade dos filhos, mas em média dá 1 real pra cada pessoa da família por dia. Isso pra famílias que têm renda mensal de até R$ 70,00 por pessoa, senão é menos. 13 milhões de famílias recebem o tal.

Cara, quase dá pra ter uma alimentação saudável com esse dinheiro. Daria pra pagar dois cappuccinos na máquina de café que tem no meu trabalho. O dia inteiro eu lá, ralando, sentado na minha sala com ar condicionado. E os vagabundos lá, no nordeste, numa rede,  numa boa, desfrutando do seu 1 real diário pra tomar uma água de coco. Incrível um país permitir essa pouca vergonha com o dinheiro sofrido do contribuinte. Eu quero meus cappuccinos, porra (têm mais contribuintes do que beneficiários e pela quantidade de imposto que eu pago, acho que não passaria de uma gota, mas ignoremos isso, sim?). Mas não! Tenho que tomar o café comum, que é grátis. É revoltante demais.

Quer discutir se assistencialismo é bom ou ruim? Ok. Existem argumentos favoráveis aos dois lados. Sério. Foda achar um assunto polêmico que não tenha pelo menos um argumento válido defendendo uma ideia.

Fatos são outra coisa complicada. Nesse caso, por exemplo, o estudo foi feito pelo Ipea, que é um órgão do governo. Tendenciosa? Seria muita ingenuidade não imaginar isso. Sempre que um estudo é encomendado por alguém que tem uma opinião sobre o assunto, o resultado é duvidoso (a não ser quando eu tenho a mesma opinião).

O que eu quero dizer é que vocês estão sendo extremistas cheios de ódio no coração. E isso nem é uma reclamação. Mal posso esperar pela próxima notícia contrariadora de opiniões.

E é capaz de ter gente me xingando por eu ser a favor do assistencialismo mesmo sem eu ter dito isso em lugar nenhum. Discorda de algo? Diga o que e porquê.

6 comentários:

  1. Nunca se esqueça que o ser humano é mesquinho, não passa de um bárbaro, um animal.

    Daria até pra fazer uma música:

    O ser humano é pútrido em sua própria natureza,
    É podre, é fraco, de caráter duvidoso.
    E o futuro que se espera é a pobreza.

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    1. Não esquecerei.
      http://www.youtube.com/watch?v=PxviiM7g8ac

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  2. Todo elemento "vivo" tenta perder o mínimo de energia e atrair o máximo. Nosso corpo trabalha com essa regra de esforço mínimo, isso é natural e como humanos somos hipócritas em dizer que não somos preguiçosos. O próprio fato de não admitirmos nossa preguiça é muitas vezes feito com a intenção de nos sentirmos superiores aos outros e assim conseguirmos mais status, mais visibilidade entrenas fêmeas, e mais dinheiro (que vai ser usado pra adquirir conforto pois somos preguiçosos).
    A lei do mínimo esforço não é invenção humana, ela simplesmente é... uma lei da física, lei de energia.
    Quando alguém toma doses de hormones pra ficar forte, os testículos perceb ue não precisam trabalhar pra prover e acabam atrofiando. Classic.
    O único fator que toca na ferida é o sentimento de "injustiça" que sempre nos atinge quando alguma coisa foge do que é socialmente aceito como normal.
    Tu acha correto gastar 2 reais com café. Já outros...

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    1. Isso aí. Also: sou batalhador e sofri.

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  3. Mas pode levar uma pessoa de um trabalho formal a um informal.
    Exemplo:
    Uma família de 4 pessoas ganhando R$280, onde uma pessoa trabalha atualmente de maneira informal ganhando R$800. Se for oferecido a ela um emprego formal que pague R$1000 ela vai recusar. E, se ela tiver uma preferência temporal alta(como a maioria dos pobres), até mesmo um emprego que tenha previsão de aumento não é uma boa ideia.
    Essa é a dependência que cria, ele dificulta a pessoa a encontrar um emprego formal, combine isso ao fato de que empresas só podem criar empregos formais e se chega a conclusão que ela está presa na pobreza por uma estrutura de incentivos.

    Mudar isso não é difícil, uma mudança boa seria um valor extra mensal para toda família que se declarar pobre, não tenha casa própria, os filhos estudem em escola pública e que no início do programa não tenham uma renda total maior que um salário mínimo por pessoa. Mas com a diferença que será colocado um limite de tempo de digamos 4 anos, esse benefício não é perdido quando a pessoa começa a trabalhar. Dessa forma, não acontece o que aconteceria acima.
    Além disso, seria legal que aqueles entre 16-50 anos na família que não estiverem trabalhando tivessem de fazer um curso técnico gratuito como SENAI ou similar para poder receber o benefício.

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