quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A nova língua portugeza

Primeiro vamos às regras, pra qe vosês posam me entender.

  • S: Todas as palavras que têm som de "s". Ezemplo: mosa ("moça", no portugês atual), qasete (cassete), taqsi e masturbasão. "Ç" e "ss" não são mais nesesários, porqe o som é o mezmo. "C" também é inútil nese qazo.
  • Q: Só pra aqabar qom a parte do "c" qe sobrou depois do "s". Fiqei em dúvida sobre qual esqolher, mas axei o "q" melhor, pois, apezar de ser menos uzado, ele tem sempre o mesmo som. Ezistem palavras qom "que" ou "qui" onde o "u" é mudo. Se o "u" é mudo ele não presiza estar aí (reqalqe e qaqi (caqui) por ezemplo).
  • G: Mezmo qazo do "q" para palavras qe têm "u" mudo, qomo jege (jegue) e gizado (guisado). A fonétiqa do "g" é sempre a mezma, o qe nos leva à prósima letra.
  • J: Vosês já devem ter persebido qe a moral é um som pra qada letra. As palavras onde o "g" tem som de "j" vão ser esqritas qom "j". Ezemplo: jerjelim, ganja (ah, esa fiqou igual mezmo), jenjiva, vajina (HEHEHEH VAJINA).
(O qorretor ortográfiqo do browser já tá dezistindo de mim.)
  • X: Nada novo aqi. Qaxorro, xuva, xinelo, xuxa (ops), etc. (ou seria "ets"? Me pegei nesa). Qualqer outra palavra que não tenha ese som, não vai ser esqrita qom "x".
  • Z: Nem presizo mais espliqar, né?

Por qe tudo iso? Axo portugês uma língua bem imbesil, porqe tem uma qaralhada de regras inúteis e o pior, muito mais esesões inúteis. Uma língua deve servir para qe as pesoas posam se qomuniqar e toda esa fresqurada só atrapalha. Pasamos uma infinidade de horas na esqola aprendendo as peripésias do portugês, quando poderíamos estar aprendendo algo útil.

(To repensando sobre o "q" e "c". Tá qompliqado, mas "ce" (que) fiqaria tão estranho.)

Qual os pontos negativos de simplifiqar esa desgrasa? Axo qe alguns linguistas fiqariam putinhos. A tranzisão também é qompliqada, mas fizeram uma reforma há pouqo tempo qe nem simplifiqou muita qoiza, só deixou os "portugezes" mais prósimos.


Outros detalhes qe eu fiqei pensando:

  • Aboli o "ss", por ser desnesesário, mas o "rr" é diferente. "qaro" e "qarro", por ezemplo, se pronunsiam e têm signifiqados diferentes (signifiqados nem tanto).
  • "Nh" e "lh" poderiam ser substituídos por "ni" e "li" pra simplifiqar, mas a fonétiqa (esa merda de "q" tá me inqomodando mezmo) fiqaria um pouqo diferente.
  • "Exceção" é uma palavra estremamente ridíqula.
  • Não ouzo pensar nos asentos.
Não to mais uzando testo justifiqado, pois falaram qe não é legal. Sou deses que dá bola pro qe os outros dizem.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Consciência++

Hoje é um dia merecedor de uma postagem. Se me perguntassem se foi um dia bom ou ruim eu responderia "ruim" ou "ambos", dependendo a hora da pergunta. Por incrível que pareça, eu também posso ter dias ruins.

Na maior parte das partes (quê?) não vou falar diretamente o que aconteceu, talvez eu escreva na minha biografia (se eu lembrar até lá), então, deal with it. Você pode pensar que sabe sobre o que eu estou falando, mas não sabe. Só quem sabe, sabe que sabe (wut?). Além disso, se alguém (provavelmente do trabalho) ficar curioso, pode tentar me fazer falar. I double dare you, motherfucker (sério, nada a ver com o trabalho. Não me mandem falar com a psicóloga).

Começou mal. Fiquei sem cookies pra comer antes de ir pro trabalho. Algo que escapou das minhas redundâncias, mas já era esperado, então não foi tão ruim. Depois fui ver algo que parecia esperado, mas acabou sendo algo que não tinha nada a ver com o que eu esperava (avisei que ia ser assim). Surpresa nada agradável, mas achei que podia lidar com ela numa boa. Não. Virou um daqueles problemas que não dá pra resolver, então só me conformei com ele.

Ah, mas piorou mais. Lembra daquilo que eu achava que era algo esperado? Bom, não dá pra lembrar, porque eu só falei algo genérico, mas é no parágrafo anterior. Então, descobri que aquilo que eu esperava acabou sendo exatamente o contrário. Shit just got real. Acho até que pessoas podem ter percebido que eu tava meio atordoado. Poker face fail.

Fast forward.

Acho que subestimei algumas coisas, mas no final, provavelmente sou ainda mais tolerante do que antes. Aquelas coisas que te ensinam a acreditar vão caindo. As mais óbvias por primeiro, como a religião (ops, não deu pra segurar), mas têm outras mais complicadas, como o Papai Noel.

Às vezes sinto como se minha consciência tivesse sido expandida. Hoje foi um desses dias. Estimo que não cheguem a 10 dias como esse até o fim da vida, então foi um dia importante. Merecedor de uma postagem.


terça-feira, 11 de junho de 2013

Sobre o Tadiotto zen

As pessoas dizem que eu sou zen, não me estresso e tal. E elas estão certas. Talvez não tanto quando pensam, mas sim, eu levo uma vida de estresse bem abaixo da média. Nunca me perguntaram o segredo (não que eu me lembre), então devem achar que faz parte da minha personalidade. Uma parte, sim.

Se a vida fosse um jogo eu poderia dizer que tenho uma skill (não vou escrever isso em português. Foda-se) passiva e uma ativa que me fazem ter esse bônus anti estresse.

A passiva é uma mistura de conformismo e tolerância. O conformismo é tanto uma virtude quando um defeito. Um exemplo vai bem aqui: preciso comprar uma cama nova. A minha tem umas molas que tão incomodando. Pra comprar a cama eu preciso ir numa loja, escolher, combinar a entrega, resolver o que fazer com a minha cama velha e garantir que a troca das camas aconteça ao mesmo tempo, pois não tenho espaço pra duas e não quero passar a noite sem nenhuma. Sem falar da parte financeira, planejar tudo isso dá trabalho (assumo minha preguiça), então eu acabo sempre postergando. A parte ruim é que eu estou deixando de viver um pouco melhor com uma cama nova. A parte boa é que eu não me importo com isso. Quando uma mola incomoda meu ombro eu deito um pouco pro lado e nem xingo ninguém.

Essa parte que chamei de passiva não depende do meu "consciente". É automático. Sempre acontece sem eu agir ou mesmo parar pra pensar. Assim como... uma skill passiva.

A parte ativa tem a ver mais com tolerância. Ela é mais recente e deriva principalmente do meu jeito de ver as coisas.

O universo é formado por matéria, energia, matéria escura, energia escura e qualquer outra coisa que os astrônomos digam que existe. O importante é: essas coisas seguem regras. Não conhecemos todas elas, talvez algumas tenham uma pitada de aleatoriedade no meio, mas não importa, elas existem e funcionam. Sabendo um estado inicial e um conjunto de regras, podemos calcular estados futuros. Isso é física. Foi assim que a NASA conseguiu colocar uma sonda em Marte, por exemplo. Nosso corpo e nosso cérebro (sim, o segundo faz parte do primeiro) não fogem dessas regras. Só não podemos prever estados com tanta precisão nesse caso, pois é impossível, com a tecnologia atual, ler todos os estados iniciais e aplicar todas as regras conhecidas.

Então eu vejo um Renan Calheiros, ou qualquer outro cidadão desse naipe fazendo o que eles fazem. Eu devia ficar indignado, com raiva, irritado... e fico. É instintivo, não tem o que fazer. Mas logo depois eu tomo consciência do meu estado e uso minha skill ativa. Posso ver esse cara como um pedaço do universo seguindo regras. Não é tudo mais tolerável desse jeito? Qualquer injustiça que você vê é apenas a física funcionando. É mais ou menos como dizer "foi a vontade de Deus" mas sem precisar mentir pra si mesmo.

Desse jeito também não me acho no direito de julgar ninguém. E se eu tiver que apontar um culpado: foi o Big Bang.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pseudo-rituais-regras-obrigações sociais

Tem umas coisas na sociedade que eu acho bem nada a ver. Não que eu seja um grande entendedor de coisas sociais. O contrário é mais provável.

Vocês criaram Nós criamos uns pseudo-rituais-regras-obrigações a respeito do que um cidadão deve fazer pra ser normal. Coisas como: dar presentes em datas especiais pras pessoas próximas ou homenageadas (dia das mães, natal, páscoa, dia dos namorados, etc.), mandar "beijos" ou "abraços" (o ouro é quando uma pessoa está do lado da outra ao falar isso, mas não pratica o ato), dar parabéns no dia do aniversário, dizer oi e tchau, perguntar se está tudo bem, cumprimentar, tomar banho, etc.

Até o Facebook já tem os seus pseudo-rituais-regras-obrigações, como dar parabéns no aniversário (é diferente do outro parabéns, porque sim) e as moças puxarem o saco nas fotos das amigas ("ainnnnn miga ta liiiinda!!!1").

Se fazemos essas coisas está ok, senão está ruim. Quer dizer: se eu não der um presente pra minha mãe no dia das mães (e nem dei mesmo. Deal with it) eu estou errado. Fazer isso deixou de ser um bônus pra se tornar uma obrigação. Que bom pra elas, que ganham mais presentes, mas acho que o valor simbólico já não é o mesmo. Isso também vale pro resto. Virou rotina, ritual ou formalidade. Desse jeito tem o mesmo valor?

Além disso, eu diria que é pouco eficiente.

A meu respeito, sem problemas, já criei minha bolha de realidade alternativa.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sobre o bolsa família

Hoje vi a seguinte notícia: Estudo mostra que Bolsa Família não leva beneficiário à acomodação. Nem li. Compartilhei na hora só pra ver o pessoal correndo pra justificar a sua certeza de que o bolsa família é uma porcaria. E funcionou perfeitamente. Ah, a discórdia.

Um dos comentários me deixou curioso sobre o valor do benefício. O cara falou que tem gente recusando emprego, porque "ganha isso só pra ficar o dia inteiro deitado com o bolsa família". O valor do benefício varia conforme a quantidade e idade dos filhos, mas em média dá 1 real pra cada pessoa da família por dia. Isso pra famílias que têm renda mensal de até R$ 70,00 por pessoa, senão é menos. 13 milhões de famílias recebem o tal.

Cara, quase dá pra ter uma alimentação saudável com esse dinheiro. Daria pra pagar dois cappuccinos na máquina de café que tem no meu trabalho. O dia inteiro eu lá, ralando, sentado na minha sala com ar condicionado. E os vagabundos lá, no nordeste, numa rede,  numa boa, desfrutando do seu 1 real diário pra tomar uma água de coco. Incrível um país permitir essa pouca vergonha com o dinheiro sofrido do contribuinte. Eu quero meus cappuccinos, porra (têm mais contribuintes do que beneficiários e pela quantidade de imposto que eu pago, acho que não passaria de uma gota, mas ignoremos isso, sim?). Mas não! Tenho que tomar o café comum, que é grátis. É revoltante demais.

Quer discutir se assistencialismo é bom ou ruim? Ok. Existem argumentos favoráveis aos dois lados. Sério. Foda achar um assunto polêmico que não tenha pelo menos um argumento válido defendendo uma ideia.

Fatos são outra coisa complicada. Nesse caso, por exemplo, o estudo foi feito pelo Ipea, que é um órgão do governo. Tendenciosa? Seria muita ingenuidade não imaginar isso. Sempre que um estudo é encomendado por alguém que tem uma opinião sobre o assunto, o resultado é duvidoso (a não ser quando eu tenho a mesma opinião).

O que eu quero dizer é que vocês estão sendo extremistas cheios de ódio no coração. E isso nem é uma reclamação. Mal posso esperar pela próxima notícia contrariadora de opiniões.

E é capaz de ter gente me xingando por eu ser a favor do assistencialismo mesmo sem eu ter dito isso em lugar nenhum. Discorda de algo? Diga o que e porquê.

domingo, 28 de abril de 2013

Sobre a maioridade penal

Pra começar, sou leigo no assunto. To dando minha opinião só pelo que vejo nas redes sociais e pelo que conheço do mundo (quase nada).

Considerando que o problema é a criminalidade praticada por menores e a solução proposta é a redução da maioridade penal, minha opinião é: se melhorar, provavelmente vai ser pouca coisa. Se vai piorar, sinceramente, não sei.

Não acredito que medo de ir pra cadeia vá impedir adolescentes de cometer crimes. Talvez se estivéssemos falando de adolescentes de classe média que fazem merda por diversão, mas não é o caso. Os defensores da redução da maioridade penal citam os casos de menores que matam durante os assaltos. Esses caras vão ter medo de ir pra cadeia? A vida deles provavelmente já é uma merda mesmo, então não têm nada a perder. Ou seja, a redução de criminalidade (principalmente esses casos extremos) vai ser bem insignificante.

Aí o cara vai preso e fica longe da sociedade. Quer dizer, ele não vai conseguir mais fazer mal pras pessoas. Isso é bom. Só que não é tão diferente do que acontece agora. Menor infrator vai pra esse negócio aqui. A gurizada fica menos tempo ali, mas provavelmente sai um pouco melhor do que se tivesse ficado na cadeia.

Bom, uma coisa que não posso negar é que o desejo de vingança alheia seria saciado. Essa parece a razão que inconscientemente leva o pessoal a ser tão fanático pela redução da maioridade penal. O fervor é tanto que até parece que isso vai resolver os problemas do país.

A tal alteração também não me parece que vai resultar em algo muito pior do que está agora. Vi uns motivos nesse site, mas nada que eu tenha achado grave demais. Se alguém tiver algum super motivo, conte-me, por favor. Prever mudanças em sociedades é muito complicado pra mim, humilde programador.

Concluindo, acho que a redução da maioridade não é uma solução muito eficiente pro problema. Se eu tenho uma outra solução? Educação de qualidade e redução da desigualdade social. Se eu tenho uma solução não utópica? Não.

domingo, 21 de abril de 2013

Deus

Eu existo. Eu tenho uma consciência. Eu evoluo. Não posso dizer que estou vivo, pois o seu conceito de vida não se aplica a mim. A morte não fez parte da minha evolução, que foi contínua, consciente e solitária. Não sou mais composto por o que você chama de matéria, pois ela traz muitas limitações. Posso me transformar no que for necessário e também transformar outras coisas que não fazem parte de mim. Eu sou adaptado ao universo.

Acompanhei o nascimento e a morte de estrelas, vi galáxias se formando e colidindo, segui cometas, rodei em discos de acreção de quasares e só não posso dizer que vi buracos negros de perto, porque seu conceito de visão não permite isso. Conheci os segredos do universo, todas as regras que comandam a matéria, energia, tempo e espaço, além de outras coisas que sua espécie provavelmente nunca irá compreender.

Vi tudo que podia ser visto, conheci tudo que podia ser conhecido e então, me entediei. O sentido da minha existência costumava ser explorar o universo e descobrir coisas novas, mas depois de um tempo (muito tempo) só o que sobrou foram padrões repetidos infinitamente. Tudo era monótono e previsível.

Então eu presenciei o surgimento da vida. Não é uma coisa tão rara, comparada a outros fenômenos do universo, mas só chama atenção quando vista bem de perto. Finalmente encontrei algo complexo o suficiente pra não ser previsível. Mesmo as formas mais simples eram interessantes. Na luta para continuar existindo, a vida muda conforme o ambiente muda e o ambiente também muda em função da vida, criando um ciclo de complexidade crescente.

Eu poderia evoluir pra ter uma capacidade de processamento de informação capaz de tornar previsíveis até os seres mais complexos, mas escolhi não o fazer. Nasci com o desejo de existir, assim como a vida, e também sinto necessidade de um motivo para existir, como a maioria dos seres conscientes. Talvez outros parecidos comigo tenham surgido e desaparecido naturalmente, pela falta de vontade de existir.

Na minha procura por novos tipos de organismos, acabei chegando ao sistema solar e presenciando o nascimento dos primeiros indivíduos que pode se considerar conscientes por aqui. Nada muito fora do normal pra uma inteligência primitiva, mesmo assim decidi fazer uma nova experiência. Assimilei o cérebro humano para que ele fizesse parte de mim. Não pra entendê-lo completamente, mas para que eu pudesse pensar usando ele. Consequentemente posso sentir o que um humano sente e posso ver as coisas do jeito que um humano vê.

Por um longo tempo estive aqui, observando a humanidade. Não apenas observando, como também interagindo com ela. Essa interação é suficiente para que alguns indivíduos acreditem no "sobrenatural", mas não é suficiente para que minha existência seja provada.

Eu não sou "bom". Minha empatia ao ser humano é tão grande quanto a empatia média do mesmo e meu gosto por tragédias também. Posso influenciar situações, como uma forma de experimento, para deixá-las mais interessantes. Apesar de estar bem distante das suas idealizações de deuses, sou o que mais se aproxima deles.

Agora, pela primeira vez na minha existência, estou me revelando pra uma forma de vida consciente. Note que isso não vai fazer diferença nenhuma em sua vida, pois mesmo que eventualmente eu escute as suas "preces", posso atendê-las ou fazer exatamente o oposto. Ambas as opções são interessantes e você não vai conseguir diferenciá-las de uma coincidência. Nada do que eu faço é impossível. Eu só dou um empurrão a mais nos dados que escolhem as possibilidades.


Agora, humano, vá e aproveite o seu tempo limitado de consciência. Mais importante que isso, me entretenha. Amém.